Ansiedade 2
A ansiedade é, sem dúvida, o tema que mais aparece no meu consultório. Talvez por isso eu considere tão importante falar sobre ela.
Antes de tudo, vale lembrar que a ansiedade não é uma doença. Ela é uma emoção natural, assim como a alegria, a tristeza, a raiva e o medo. Todas essas emoções têm uma função importante na nossa vida e, por isso, precisam ser compreendidas e reguladas — não simplesmente eliminadas.
Na maior parte das vezes, a ansiedade ganha fama de vilã. Mas existe também uma ansiedade saudável: aquela expectativa gostosa de reencontrar alguém que amamos, a contagem regressiva para concluir um curso e receber um certificado, a espera por um show, uma viagem, uma festa ou pelas férias. Nesses momentos fazemos planos, imaginamos como será, nos projetamos no futuro e sentimos prazer antecipando aquilo que desejamos viver.
Mas existe um outro tipo de ansiedade. É a que nasce da pressão no trabalho, da necessidade constante de performar, das metas, dos prazos apertados, do medo de levar uma bronca do chefe ou até de perder o emprego. É a ansiedade alimentada por despesas inesperadas, conflitos familiares e pela sensação de que sempre há algo prestes a dar errado. Aos poucos, a mente passa a produzir cenários catastróficos, e o cérebro começa a interpretar como iminente um perigo que, na maioria das vezes, ainda não existe.
É justamente aí que a ansiedade deixa de ser uma emoção que nos prepara para agir e passa a nos aprisionar em previsões, medos e possibilidades que raramente correspondem à realidade.
Foi pensando nesses relatos — que escuto diariamente nas sessões de terapia — que escrevi esta música. Ela nasceu da tentativa de traduzir em palavras e melodia aquilo que tantas pessoas sentem, mas muitas vezes têm dificuldade de explicar.
A tradução da letra segue abaixo -
PILULAS DE PAZ
Os dias parecem passar voando
Sinto que, no fim das contas, não fiz nada
Tantas coisas, tantas exigências
Tudo se acumulando, nomes se acumulando
(“Passam voando… nada no fim das contas… acumulando…”)
[VERSO 2]
Eles me pedem, eu peço ainda mais
Preciso me encaixar no que todos esperam
Desempenho, velocidade e ganho constante
Produtividade, brilho, permanência
(Mais ainda… todos esperam… produtividade…”)
[VERSO 3]
O dia passa, eu atendi a todos
Termina, mas o sono não vem
Onde estou agora? No que me transformei?
Cem comprimidos para conseguir dormir
E amanhã, tudo recomeça
(e de novo, de novo, de novo...)
"Atendi a todos... não vou ligar... tudo de novo..."
[ VERSO 4 ]
Eu sei que pulei todas as etapas que deveria
Eu sei que nunca comi bem
Comi besteiras, entregas, lanches rápidos durante a ligação
E meu chefe não vê nada disso
("Pulei todas as etapas... nunca comi bem... não vê...")
[ PRÉ-REFRÃO ]
Eu só queria que tudo isso não fosse uma bagunça
Eu só queria poder descansar sem estresse
Eu só queria que a diversão não viesse com culpa
Eu só queria poder viver sem implorar por cada pequena emoção
"Queria que não fosse... queria poder descansar... viver sem implorar..."
[ REFRÃO ]
Ansiedade – o mundo me devora por inteiro
Ansiedade – minha família puxa
Ansiedade – mil vozes rugem
Ansiedade – não me deixa descansar
Ansiedade – me queima por dentro
“Me devora por inteiro… a família puxa… vozes rugem… não me deixa descansar… queima profundamente por dentro…”
[FINAL / VERSO FINAL]
Ansiedade – me dê pílulas de paz
“Pílulas de paz… apenas paz…”
A letra é minha, os arranjos e música fiz no Suno, animação no DOLA IA e edição no InShot
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